Escrito pela minha amiga Graça
Sonhos escurecidos num mar de breu
Hoje apetece-me voar e correr por esses prados em flor por entre o cheiro suave da alfazema e do alecrim…
Ergo os braços para o azul e deixo-me embalar nos acordes do vento. A brisa que toca no meu rosto é a pele sedosa dos teus dedos… essa pele que afaga a minha testa nos dias de melancolia…
O sol que desponta por trás daquele outeiro toca o meu corpo com o calor dos teus lábios e sinto-o derreter a minha alma em chamas…
Subo cada vez mais e contemplo a terra prenhe de vida que desponta por entre gotas do orvalho matinal… gotas de lágrimas de prazer que começam a escurecer com a sombra de mim.
Ergo-me cada vez mais ao encontro do azul do teu olhar… enovelo-me em vertigens de sonho… estendo os braços para o além… fecho os dedos na concha do meu desejo e nada apalpo…
É no meio deste vazio celestial que procuro encontrar-me… Ébria de luz e sonho projecto os meus braços mais para o alto ao encontro da estrela polar que ainda brilha no horizonte.
Ergo os meus dedos e na concha da minha mão apenas sinto pó… vazio… sonhos desfeitos…
O dia permanece quente e iluminado, mas nesta descida súbita entro num mar de breu e de silêncio do qual hei-de partir noutro qualquer dia ensolarado.
Graça
19/3/06
Obrigado amiga

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