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Singela visão

Natureza que beijas docemente

o olhar colorido de uma singela flor,

nas mãos erguidas da terra

no abraço de um eterno amor.

Lentamente te ergues

na manhã fresca dos meus dias

e fazes vibrar a cor do meu

amanhecer.

Singela visão

Thy word

Thy Word is a Lamp unto my feet

Há dias assim

Tem dias que são constantes, tão cheios de ternura, que tentam voar em misteriosos planaltos de asas cintilantes, e não é que conseguem!?

Basta ter alma de poeta, para imaginar mesmo que o mar, é um extenso celeiro

de bens guardados e cheiros, por amor de quem são famintos.

Dias de mãos dadas passeando, por entre esquecidos jardins daquelas noites serenas, que regressam com as aves, sempre na Primavera.

Foram meus dias de luz, no livro que vive sentado no meu colo, e que não se aparta de mim.

Mas hoje, estes meus dias são sonho, que guardo para sempre cá dentro, na dor das minhas canções. Eu que canto solidão, ainda que não saiba cantar, meus dias são um refrão de vontade de naufragar.

Tantos dias esquecidos, na arte do meu pintar, uma tela da minha vida que em tantas luas se repete!

E hoje assim mergulhada, no marasmo da hora, pois quem me busca a alma, não é por ela que chora… Somente eu vejo além, outros dias serenos, onde embrulharei a tristeza no grande lenço da aurora.

Escrito pela minha amiga Graça

Sonhos escurecidos num mar de breu

 

 

 

Hoje apetece-me voar e correr por esses prados em flor por entre o cheiro suave da alfazema e do alecrim…

 

Ergo os braços para o azul e deixo-me embalar nos acordes do vento. A brisa que toca no meu rosto é a pele sedosa dos teus dedos… essa pele que afaga a minha testa nos dias de melancolia…

 

O sol que desponta por trás daquele outeiro toca o meu corpo com o calor dos teus lábios e sinto-o derreter a minha alma em chamas…

 

Subo cada vez mais e contemplo a terra prenhe de vida que desponta por entre gotas do orvalho matinal… gotas de lágrimas de prazer que começam a escurecer com a sombra de mim.

 

Ergo-me cada vez mais ao encontro do azul do teu olhar… enovelo-me em vertigens de sonho… estendo os braços para o além… fecho os dedos na concha do meu desejo e nada apalpo…

 

É no meio deste vazio celestial que procuro encontrar-me… Ébria de luz e sonho projecto os meus braços mais para o alto ao encontro da estrela polar que ainda brilha no horizonte.

 

Ergo os meus dedos e na concha da minha mão apenas sinto pó… vazio… sonhos desfeitos…

 

O dia permanece quente e iluminado, mas nesta descida súbita entro num mar de breu e de silêncio do qual hei-de partir noutro qualquer dia ensolarado.

 

 

Graça

 

19/3/06

Obrigado amiga

 

 

Brancas palavras

Toco na noite abraço os teus gestos,

Simples e contudo não os entendo

 Lembro-me do dia das promessas

Que estão presentes em mim.

Olha a minha face e vê …

Anjos que adiaram a partida

Boca subjugada por palavras

Não proferidas

Lágrimas vencidas por saudades

Que oculto a horas impossíveis.

Essência de ti e de mim

Já basta pois de crepúsculo

A luz está vigente…

Na madrugada vivo sonhos

Que se ocultam nas manhãs

Dos dias lavados por água

Abertos ao ciclo de vida.

Toco no silêncio de muitas noites

Brancas, de palavras …